Data de Publicação: 03/11/2006 Seção:
Segundo o Ministério da Saúde o número de partos
no Brasil vem decrescendo nos últimos 5 anos. Entretanto, estes mesmos
dados apontam que esta diminuição é por conta de mulheres acima de 20
anos de idade.
A partir do dado citado acima compreendemos que a gravidez na
adolescência é um fato que vem acontecendo numa crescente, devendo por
isto, ser visto com mais atenção pela área de saúde.
Entendemos ainda que este fato deva ser discutido junto aos adolescentes
abordando principalmente, as ações preventivas.
Neste sentido surgiu o interesse deste Oficial em abordar os aspectos
preventivos da gravidez junto à clientela de adolescentes.
Maj BM Méd Adriano Sampaio Zaquine, ginecologista e obstétra da 3ª
Policlínica - Niterói.
A partir PREVENÇÃO DA GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA
da
compreensão de uma gravidez planejada, e o entendimento das implicações
que a mesma pode acarretar para a vida da adolescente, que poderá
escolher o momento certo para dar vida a um novo ser.
Objetivo
-
Conhecer os fatores que podem levar a adolescente a engravidar;
-
Identificar as implicações relacionadas à gravidez na adolescência;
-
Avaliar junto aos adolescentes o conhecimento quanto aos métodos contraceptivos como forma de evitar a gravidez;
-
Orientar quanto ao uso adequado e adesão dos métodos contraceptivos.
Adolescência
Atualmente,
a adolescência se caracteriza como uma fase que ocorre entre a infância
e a idade adulta, na qual há muitas transformações tanto físicas como
psicológicas, possibilitando o surgimento de comportamentos irreverentes
e desafiantes, o questionamento dos modelos e padrões infantis, que são
necessários ao próprio crescimento.
A
adolescência é um período da vida que merece atenção, pois esta
transição entre a infância e a idade adulta pode resultar, ou não, em
problemas futuros para o desenvolvimento de um determinado indivíduo.
No
entanto, para entender como a adolescência pode favorecer o
aparecimento de problemas, dentre eles a gravidez precoce, é necessária
uma breve revisão sobre este período.
De
acordo com a OMS “a adolescência compreende um período entre os 11 e 19
anos de idade, desencadeado por mudanças corporais e fisiológicas”.
Wong
(1999), descreve a adolescência como “o período de transição entre a
infância e a vida adulta – um período de rápida maturação física,
cognitiva, social e emocional”.
Porém,
Ferreira apud Gomes et al (2003), define adolescência “como o período
da vida humana que sucede a infância, começa com a puberdade e se
caracteriza por uma série de mudanças corporais e psicológicas”.
Para
Rosa apud Gomes et al (2003), “(...) o fim da adolescência são os
ajustamentos normais do indivíduo aos padrões de expectativa da
sociedade, com relação às populações adultas”.
Sexualidade na Adolescência
A
adolescência é fase da vida em que o indivíduo é criança em seus jogos,
brincadeiras, e é adulto com seu corpo, com seus novos sentimentos e
suas expectativas de futuro. E é nesse turbilhão de emoções que
normalmente os adolescentes começam a entrar em contato com sua
sexualidade
A
maior contribuição das mudanças biológicas do ponto de vista cultural, é
a “transformação do estado não reprodutivo ao reprodutivo”, pois o
amadurecimento do sistema reprodutivo impõe os limites para cada sexo.
Neste contexto, surge a sexualidade na adolescência, sendo esta temática
de relevância mundial, pois tanto dificuldades como desafios que
aparecem aos adolescentes ocorrem independentemente da diversidade
cultural, étnica e social.
Acompanhando
as alterações hormonais, o comportamento sexual do adolescente é um
produto de fatores culturais no ambiente, que cada vez mais tornam
eróticas as relações sociais.
Assim,
pode-se entender melhor o que acontece no comportamento sexual do
adolescente, já que algumas vezes comportam-se por imitação, tendo como
conseqüência resultado mais punitivo que reforçadoros, como por exemplo,
a própria gravidez na adolescência.
Dessa
maneira, talvez os processos educacionais também possam ser utilizados
no controle da gravidez na adolescência. Embora em alguns casos, a
gravidez possa trazer conseqüência reforçadora, como o casamento precoce
entre adolescentes, muitas vezes traz conseqüências punitivas a curto e
longo prazo, como o convívio com condições econômicas precárias devido
ao despreparo social e psicológico dos adolescentes para exercerem a
maternidade e o abandono aos estudos.
De
acordo com Wong & Melo apud Brito (2002), a crescente tendência da
liberação do comportamento social, especificamente, o comportamento
sexual, contribui para o aumento da gravidez na adolescência, devido a
ausência de conhecimento do próprio corpo enquanto função reprodutora,
vinda da falta de uma educação esclarecedora, tanto no ambiente familiar
como no escolar e social.
Portanto,
é fundamental que tanto a família quanto a escola, assumam a
responsabilidade de formar e informar os jovens para que consolidem uma
visão positiva da própria sexualidade, ou seja, tornem-se capazes para
tomadas de decisões maduras e responsáveis.
Panorama da gravidez na adolescência
Cerca
de 20% das crianças que nascem a cada ano no Brasil são filhas de
adolescentes. Comparado à década de 70, três vezes mais garotas com
menos de 15 anos engravidam hoje em dia. A maioria não tem condições
financeiras nem emocionais para assumir essa maternidade. Acontece em
todas as classes sociais, mas a incidência é maior e mais grave em
populações mais carentes. O rigor religioso e os tabus morais internos
das famílias, a ausência de alternativas de lazer e de orientação sexual
específica contribue para aumentar o problema. Por causa da repressão
familiar, algumas adolescentes grávidas fogem de casa, abandonam os
estudos e com isso, interrompem seu processo de socialização e abrem mão
de sua cidadania.
Quando
cruzaram os resultados com fatores socioeconômicos de fecundidade, os
pesquisadores encontraram resultados que mostram que quanto maior renda
nominal familiar per capita ou o número de anos de educação, menor a
taxa de natalidade. Em relação à educação formal, os resultados mostram
que quanto mais anos de estudo tem uma mulher, menor a sua taxa de
fertilidade. Psicólogos, assistentes sociais, médicos e pedagogos
concordam que a liberalização da sexualidade, a desinformação sobre o
tema, a desagregação familiar, a urbanização acelerada, as precariedades
das condições de vida e a influência dos meios de comunicação são os
maiores responsáveis pelo aumento do número de adolescentes grávidas.
E
a comunidade médica tem alertado que as conseqüências de uma gravidez
na adolescência não se resumem apenas aos fatores psicológicos ou
sociais. A gravidez precoce põe em risco a vida tanto da mãe quanto do
recém-nascido. Na faixa dos 14 anos, a mulher ainda não tem uma
estrutura óssea e muscular adequada para o parto, e isso significa uma
alta probabilidade de risco maternofetal. O resultado mais comum em uma
gestação precoce é o nascimento de um bebê com peso abaixo do normal, o
que exige cuidados médicos especiais de acompanhamento do recém-nascido.
Medidas preventivas
Como
prevenção, exige-se do poder público que ofereça programas efetivos de
orientação sexual e planejamento familiar, em contrapartida ao estímulo à
sexualidade apresentado pela mídia.
A
camisinha é o mais popular deles, empregado por até 70% dos jovens. A
razão é oferecer proteção tanto contra doenças sexualmente
transmissíveis, quanto ser anticoncepcional. Esses dois motivos estão
por trás do fato de os rapazes costumarem ser aqueles que tomam a
iniciativa para usarem esse método. Este método anticoncepcional também
conta com boa aceitação entre os responsáveis. Dos pais pesquisados, de
60% a 80% deles recomendam aos filhos usarem preservativos. As mães
chegam até a comprar para os filhos.
Preservativo
O
uso de preservativos torna-se cada vez mais necessário, sobretudo com o
aumento de casos de HIV/AIDS e outras infecções sexualmente
transmissíveis (DST). É preciso facilitar o acesso aos preservativos,
baixar seus custos, promovê-los mais e ajudar a superar os obstáculos
sociais e pessoais ao seu uso, se quisermos reduzir as enormes
conseqüências e custos das DST e da gravidez indesejada.
Todas
as pessoas que praticam relações sexuais devem sempre usar
preservativo, mesmo em relações consideradas estáveis. Estima-se que 24
bilhões de preservativos deveriam ser usados a cada ano, mas o uso real é
muito menor, de apenas 6 a 9 bilhões.
Para
evitar a AIDS, mais e mais pessoas solteiras estão mudando seu
comportamento sexual. Alguns passaram a evitar o sexo completamente,
enquanto outros adotaram o uso de preservativos. Nos países pesquisados,
de 5 a 33% dos homens que nunca se casaram disseram que começaram a
usar preservativos para evitar a AIDS.
Mas
muitos outros não adotaram um comportamento sexual mais seguro.
Verificou-se que o índice de uso de preservativos é menor entre casados
do que entre solteiros sexualmente ativos, mas muitos casais também
deveriam usar preservativos, como forma de planejamento familiar e para
se protegerem contra as DST.
CAMISINHA MASCULINA
Também
chamada de preservativo masculino ou condom, trata-se de um saquinho de
látex fino que deve ser colocado no pênis ereto (duro) antes de
qualquer contato sexual. Ele impede a passagem dos espermatozóides para o
útero. Como é descartável, depois de usado uma vez, deve ser jogado no
lixo.
IMPORTANTE:
· A camisinha masculina evita a gravidez em até 98% quando bem colocada.
· A
camisinha só fura ou rasga caso esteja com a data de validade vencida,
ou se for usada com lubrificantes a base de óleo (como a vaselina) ou se
for colocada sem que sua ponta seja apertada. Nesse caso o ar que
permanece dentro ajuda ela a estourar.
· Oferece prevenção das DST (doenças transmitidas pelo sexo), incluindo a Aids.
· Pode
ser usada para prevenir essas doenças na relação sexual vaginal, oral
ou anal, evitando o contato entre estas mucosas e o sêmen.
Como utilizar:
Veja se a embalagem está estufada, se a camisinha tem o símbolo N do Inmetro e se está no prazo de validade.
. Abra a embalagem com as mãos e nunca com os dentes.
Vantagens Desvantagens
|
· Não faz mal à saúde e pode ser utilizado sem receita médica.
· É o método mais indicado para jovens que estão iniciando a vida sexual.
·
Oferece proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis (DST),
inclusive a AIDS e o HPV (Papiloma Vírus Humano), um dos causadores do
câncer no colo do útero.
·
O preservativo masculino é fácil de ser encontrado em farmácias e
supermercados. Muitos serviços públicos de saúde oferecem gratuitamente.
·
No comércio, seu preço é baixo, cada embalagem adquirida contém 3
(três) preservativos. São encontrados com ou sem lubrificante /
espermicida.
·
É prático para o transporte. A embalagem é pequena permitindo que seja
levado a qualquer lugar, desde que seja preservado do calor e não seja
amassado.
· Contribui para que o homem divida com a mulher a responsabilidade de evitar a gravidez.
· Trata-se de um método reversível, caso haja desejo de uma gravidez.
· Pode ser colocado pelo (a) parceira, com prática erótica.
|
CAMISINHA FEMININA
Também
chamada de preservativo feminino, é um saquinho feito de poliuretano,
macio e transparente para ser colocado antes da relação sexual para
revestir a vagina e a parte externa da vulva, protegendo os grandes
lábios. Dentro tem um anel, também em poliuretano, que fica solto e
serve para facilitar a sua colocação e fixação na vagina. Como é
descartável, deve ser jogada no lixo após o seu uso.
IMPORTANTE:
Protege
as paredes da vagina, o colo do útero e parte da vulva do contato com o
esperma, protegendo a mulher da gravidez com eficácia de 97,3% e também
das D ST (doenças sexualmente transmissíveis) e Aids.
Como utilizar
(veja as 3 figuras ao lado)
. Retire da embalagem e aperte o anel interno, formando um 8.
. Introduza na vagina, deixando o anel aberto (externo) para fora.
. A penetração deve ocorrer por dentro da camisinha.
. Depois da relação é só torcer, puxar e jogar fora.
Vantagem
|
· Não faz mal à saúde e pode ser utilizado sem receita médica, não tem contra-indicações.
· É de fácil transporte, pode ser guardado na bolsa.
· Quando utilizado corretamente, oferece grande segurança para evitar a gravidez e as DST/AIDS.
· Oferece maior autonomia para a mulher, garantindo sua proteção independente do parceiro.
· Algumas mulheres relatam que o anel externo estimula o clitóris facilitando a obtenção de prazer.
·
Alguns homens o consideram melhor que a camisinha por “não apertar e
permitir a permanência, do pênis, na vagina, após o gozo".
|
Desvantagem
|
· Algumas pessoas podem estranhar o aspecto no início do uso.
|
Outros métodos:
Após a menarca a adolescente deve ser consultada pelo Ginecologista, a fim de ter conhecimento dos métodos contraceptivos disponiveis:
· Pílulas anticoncepcionais;
· Hormônios injetáveis;
· Diafragma;
· DIU (cronta-indicado para adolescentes).
O método é individualizado de acordo com as características das adolescentes.
Políticas de prevenção da gravidez na adolescência
A
gestão do CBMERJ pode partir tanto de uma ação coletiva que propicie o
intercâmbio de áreas como saúde, educação, cultura e lazer, tentando
inibir a alta incidência de adolescentes grávidas, bem como em situações
específicas, que permitam resgatar a auto-estima da adolescente,
investindo em campanhas de alerta, esclarecimento, informação ao jovem e
incentivem o uso de preservativo e a distribuição gratuita do mesmo em
escolas e postos de saúde. já que tem um papel importante na prevenção
de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e da gravidez precoce,
Considerações finais
Como
a adolescência é uma fase de descoberta, é imprescindível para a
formação da adolescente, estabelecer constantemente uma abertura com a
família para dirimir suas dúvidas. A ausência de diálogo pode fazer com
que os adolescentes procurem as suas respostas fora de casa, aprendendo,
às vezes de forma errada, com amigos, namorados e outras pessoas em que
tenham confiança, estando assim, expostas a uma gravidez não desejada e
também adquirir DST/AIDS.
Acreditamos
que um dos caminhos para melhorar as condições de vida dos adolescentes
é a educação, para tanto, temos os familiares, os profissionais de
saúde e os profissionais educadores que continuam orientando sobre
sexualidade, métodos contraceptivos, para que os adolescentes não venham
a engravidar e parar sua vida sócio-educativa.
O
Ginecologista pode desenvolver junto à comunidade, pais e adolescentes,
programas de prevenção à gravidez e DST/AIDS na adolescência, já que os
índices destes problemas aumentam a cada ano.
Enfim,
podemos concluir que há muito a ser feito pelos adolescentes no que diz
respeito ao suporte familiar, educacional, cultural e comportamental,
para que possam alcançar tudo o que desejarem, mas tendo conhecimento e
responsabilidade dos seus atos.
Referências
GOMES, Camila de Souza; OLIVEIRA, Edlaine Maria Souza; COSTA, Maria da Conceição Ferreira e SILVA, Tatiana Moura Rodrigues. A adolescência, o adolescente e suas necessidades em saúde: Um estudo bibliográfico. Dissertação para a Graduação em Enfermagem, Universidade do Grande Rio, RJ, 2003.
MINAYO,
M. C., DESLANDES, S. F., NETO, O. C. & GOMES, R. Pesquisa Social:
Teoria, Método e Criatividade. Rio de Janeiro: Petrópolis Vozes, 1994.
PAULICS, Veronika. Atenção na gravidez na adolescência. Desenvolvimento Social. BNDES. [s.l.], 1996. Disponível em: http://www.federativo.bndes.gov.br/dicas/D074.htm, acessado em 17/04/2006.
NATANAEL E DANTE
Nenhum comentário:
Postar um comentário